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Tema 1: JUSTIFICAÇÃO ©
All content on this website are freely distributed. Click for more information Date : Agosto 26, 2011   | Published by : queraltoa Email: aqueralto@investigalog.com Web: http://www.investigalog.com About: Licencia en Farmacia, investigadora desde 1997 hasta 2003 en el departamento de microbiología y parasitología de la Facultad de Farmacia de Sevilla, actualmente es experta en sistemas de gestión y es Directora Ejecutiva de Contenidos e I+D+i de INVESTIGALOG.See Authors Articles (130)  | 0 Comment/s Category : Physical Expression and Personal Well-being for Today's Professionals | Language : Spanish Author/s : Libânia Nazareth |
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JUSTIFICAÇÃO |
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TEMA 1: JUSTIFICAÇÃO
1.NOTAS PRÉVIAS.
De facto, com a expansão globalizante do planeta, com a interpenetração dos vários povos da terra, com a diversidade imanente nas sociedades actuais, com o movimento alucinante de mudanças neste dealbar do século XXI, com o hiper desenvolvimento das novas tecnologias nos mundos mais industrializados, que educação promover para responder às necessidades de uma humanidade irreversivelmente obrigada a comunicar e a expressar-se nos permanentes desafios da pós-modernidade?
Nem a abundância material nem o sucesso profissional ou poder chegam para garantir a realização plena do indivíduo e devolver-lhe a sensação de um profundo bem-estar, com o qual todos os seres humanos aspiram. Na verdade, o bem-estar parece advir prioritariamente da construção pessoal, não sendo, portanto, consequência das realizações externas. Saibamos, contudo, que esta construção pessoal não é arbitrária nem provém do acaso. Constrói-se ao longo da vida.
As nossas propostas surgem apenas, num dos momentos da vida do leitor, como orientações educativas que servem para sensibilizar para a necessidade da construção pessoal, com a finalidade de promover algumas capacidades comunicativas e expressivas transformadoras de realidades condicionantes. Este livro provém de 25 anos de experiência na área da Expressão Corporal, como aluna, professora, formadora de professores e outros grupos de profissionais.
Move-nos a vontade de dizer o que fomos sentindo e integrando ao longo de vinte e cinco anos de questionamentos na área da educação e de tentativas de posicionamentos físicos, emocionais, intelectuais mais adequados e tudo o que nos lembremos que contribua para minimizar a sede absoluta do encontro integral connosco próprios e por consequência com os outros em nós. Eis uma das razões motoras de nos termos posto a caminho neste mundo de palavras/ corpos que é o presente livro. Cabe aqui precisar que o presente desenho goza de uma abertura suficiente para convidar à reflexão e quem sabe à mudança, múltiplas e diversas cabeças, corpos e lógicas, cores e credos, sensibilidades e errâncias, vivências e saberes, não pretendendo nunca ser uma panaceia salvadora de algum caos. Cabe também deixar explícito que não se pretende escrever ou inscrever nas consciências um catálogo ou um receituário de verdades que assinalam o caminho correcto a seguir… O que nos move e motiva é continuarmos no caminho que vamos trilhando, numa postura de alerta, perguntando os “porquês” das propostas que a vida pessoal e profissional nos sugere. Estamos dispostos a lançar o desafio da comunicação e expressão, numa atitude de agradecimento, aprendizagem e humildade perante a grandeza de outros universos humanos que interagirão a partir deste livro-proposta…
A vontade de partilhar as nossas inquietações, a vontade de compartilhar os nossos passos na procura da tranquilidade e do apaziguamento internos, leva-nos a dedilhar no computador cada letra com o ânimo de quem rema rumo a um porto seguro, na certeza do contributo de cada ser para a (re)construção de um universo mais adequado às necessidades que vivemos e continuadamente (re)inventamos, neste tempo partilhado…
Como dizia Novalis, citado por Rodari (1997:202) a propósito dos seus Fragmentos, a escrita equipara-se a uma verdadeira sementeira. Aí podem “encontrar-se certamente muitos grãos infecundos – mas o que importa, se algum germinar?” Fazemos nossas as palavras de Novalis, lançando as palavras como sementes, esperando encontrar um terreno fértil no interior de cada leitor, para que novos caminhos existenciais se propaguem, frutificados. Também nós abrimos um caminho interno de recepção às sementes que de outros ventos provêm… E que seja permitido, nesta senda de palavras e emoções algum devaneio mais poético, como convém numa formação de carácter expressivo.
Goméz (2001:58) afirma que a compreensão da qualidade de vida radica em viver poeticamente, associando a ideia de bem-estar a atributos como: “apreciação”, “adaptação”, “pertença”, “prazer”, “liberdade”, “satisfação”, “saúde”, “identidade”, “possibilidade”, “melhoria”, “conhecimento”, “oportunidade”. Que estas palavras nos guiem na inspiração deste livro, uma inspiração de preferência abdominal. Não há dúvida que o bem-estar como definia Aristóteles (1993) é estar bem consigo mesmo, com os demais e com as coisas do corpo. Daí que procuramos uma inspiração integral, onde o corpo é o grande protagonista da qualidade de vida.
2. DESAFIOS DO TEMPO…
A vida desenha-se pela união entre o corpo e o espírito. Essa união nem sempre tem tido um diapasão comum, durante a história da humanidade. Um dos desvios que acentuaram a ilusão de separação entre o corpo e o espírito foi o fenómeno chamado escola. Como se o intelecto não suportasse a dimensão do corpo, por este ser inferior, instintivo, motivo de queda…A palavra escola desviou-se do seu verdadeiro sentido etimológico que se relaciona com “fruição” e “prazer” tornando-se, em alguns casos, uma espécie de cárcere da ludicidade e da lucidez humana no ensino e na aprendizagem. Deixou perder, em alguns momentos da história da educação, a luz, os dotes da alegria da descoberta, perdeu a hipótese de resgatar as identidades, perdeu o contacto com a vida, hipotecou o corpo e, por vezes, ainda hoje não consegue corresponder aos desafios do tempo. Falta-lhe espaço para se distender, para se expressar como veículo fundamental na construção dos sabores e saberes da vida. Claro que, ao longo dos tempos, se registaram momentos/ monumentos da escola etimologicamente conseguida, onde se celebrou nos corações a felicidade de aprender e de ensinar. Só que as histórias felizes parecem não fazer história. Prepondera a focalização das consciências nos núcleos duros, nas perplexidades, nas ambiguidades, nos insucessos, nas impotências, nas mecanicidades da educação…
Hoje, algumas políticas educativas, como a portuguesa, fazem agora jus em juntar a área da Saúde e da Educação. Que união perfeita! Talvez os frutos desta união se chamem “Felicidade”, “Mudança”, “Bem-estar”. Há que reflectir nas direcções que as escolas tomam, nas orientações que a educação formal segue, nos caminhos a trilhar para não haver enganos irremediáveis, nem estagnações perigosas num fluir de tempo e espaço tão célere.
Ora, se a escola ainda não forma ou não assumiu o seu papel de promotora da qualidade de vida e bem-estar, há que encontrar formas de transformação do quotidiano frenético em que os indivíduos das sociedades modernas actuais estão mergulhados. A escola é apenas uma parte do processo de aprendizagem que percorre a vida. Com tantos desafios que cada ser humano tem, ao nível da escala quase de heroicidade pós-moderna, uma das soluções pode ser a construção de si, com raízes nutridas na essência da vida. Essa construção do ser, na perspectiva holística, integradora de diversidades, aberta ao novo, às mudanças, regada pelo bem-estar de quem reconhece em si o poder criativo.
A nossa proposta é sensibilizar, recordar, despertar essa vontade, às vezes adormecida ou anestesiada pelo frenesim físico e mental dos hábitos quotidianos. A nossa proposta é recordar ao ser o que ele já sabe. Lembrar-lhe que pode ser mais feliz e que felicidade pode implicar vontade, empenho, disciplina, relaxamento, pequenos momentos/acções que desencadeiam bem-estar e realização pessoal. A vertente corporal parece ser privilegiada para se ascender a estádios mais elevados de consciência de si, dos outros e do mundo. É na realidade corpórea que podemos tocar, retocar, respirar, libertar, dançar os pensamentos e as emoções até exorcizar o passado que nos prendeu a crenças limitadoras, a preconceitos devastadores, a inércias metodológicas, a estagnações do fluxo amoroso universal…
Schwanitz (2001) compara o momento actual da cultura Ocidental a um naufrágio. Ao visualizar o ensino, focaliza-se nas histórias infelizes que irrompem todos os dias e considera-o transformado num reino obscuro. No entanto, não baixa os braços e diz que não devemos perder a determinação e persistência no sentido de nos reorganizarmos. Tal como Robin Crusoe após o naufrágio, o importante é retemperar as forças e lucidamente fazer o levantamento das necessidades da carcaça do navio, elaborar inventários, estabelecer o balanço das possibilidades e analisar a situação, tendo em conta o aspecto contextual em que se insere. Afinal hoje, para além das crises que os sistemas educativos apresentam, o aprender e o ensinar têm condições universais e intemporais para consolidarem histórias felizes e recuperarem o prazer de se reconstruírem em conjunto. A nossa sugestão parte da perspectiva do desenvolvimento pessoal, na reconstrução da identidade da pessoa, através da abordagem dos conteúdos e metodologia da Expressão Corporal.
Cremos que o aperfeiçoamento profissional passa pelo desenvolvimento pessoal. Nessa perspectiva, considera-se que a qualidade da história de vida do indivíduo remete indubitavelmente para o seu crescimento e maturação como pessoa. Desta forma, propõe-se um conjunto de conteúdos temáticos, inseridos na área de Expressão Corporal, que visam aportar a estratégias práticas que possam contribuir para que cada participante se sinta motivado a extrapolar o próprio curso e que promova a partir dele uma espécie de programa teórico-prático ou itinerário individual que corresponda às suas necessidades e interesses, gerindo a sua aprendizagem. Pretende-se, sem pretensões, de uma maneira clara, trazer à vida quotidiana um enriquecimento em termos de reflexões e de propostas práticas que possam constituir momentos diários de diálogo com a própria pessoa. Afinal se nós no acto de escrita procurámos ter um sentido de nós, na acepção de Damásio (2000), uma consciência alargada dos corpos das palavras e do nosso próprio corpo, seria plausível que o participante no curso tivesse esse sentido de si que o complete e o torne activo não só no acto da leitura, mas essencialmente na re(escrita), na re(construção), na investigação e re(invenção) dos sentidos aqui expressos. Tudo isto foi também escrito, no sentido de promover a observação de si, dos pensamentos, das emoções, da imagem corporal, constituindo um convite para a prática de alguns exercícios/actividades, concebidos para que o dia-a-dia seja mais harmonioso. Cremos que investindo no bem-estar da pessoa e aprimoramento das capacidades de comunicação consigo e com os outros está-se a investir num melhor profissional.
Na pertinente discussão sobre a etimologia da palavra saber, Quéau (1989: 163) indica a raiz comum com “sabor” e com “saltar”, referenciando que aquele que sabe é o que tem o “gosto do salto”. Será a pessoa que não se deixa morrer, confinado a um lugar estático, mas aquele que tem a ousadia de saborear o mundo dentro e fora de si. Curiosamente o Corão termina com a seguinte frase: “Que tragédia para o homem ter de morrer antes de acordar". Cunha e Silva (1999:39) vai mais longe e afirma que o sabor é um processo de “outrificação”, de identificação com o outro. É um corpo que ousa atravessar o seu território, o seu lugar e prestar-se à acção. É importante partir na descoberta de si e do outro, para saborear a arte do conhecimento. Esse salto é realizado também pelo corpo, situando-se a experiência corporal no centro do desenvolvimento e conhecimento da pessoa, segundo Vayer e Roncin (2000) assim, deixamos aqui expresso o desejo de que o leitor/participante dê o salto para dentro de si próprio e para dentro do mundo, construindo um saber que lhe permita expressar mais adequadamente os seus ideais de vida.
Se o homem se comporta de uma maneira passiva, apenas como espectador diante de um mundo objectivo, então poderá ser armadilhado e converter-se num escravo de si próprio. Só através do acto genuinamente criativo é que transformará essa condição. O ser não pode tornar-se escravo de uma parte inerte do seu próprio ser. Se o pensador conseguir não cair na armadilha da alienação e do endurecimento então encontrar-se-á em permanente estado de criatividade, sendo todo o seu pensamento provisório e questionável em cada momento.
Acredita-se que o irromper das “learning societies,” no patamar da pós-modernidade e no despontar do século XXI, comporte cada vez mais a necessidade de se aprender fora dos limites escolares e que faça da pessoa, um ser cada vez mais criativo e recreativo na construção do seu percurso de vida. Sabe-se que as tecnologias de informação e comunicação continuam a ganhar espaço, tornando-se um ciberespaço com grandes possibilidades de investigação e investimento profissional e pessoal, onde as distâncias geográficas e físicas não existem. Aproveitando os recursos interactivos e expressivos das novas tecnologias, passamos pela consciência de que a facilitação da comunicação, em termos globalizantes, pode dificultar ou passar para um segundo ou terceiro plano as competências comunicativas e expressivas da pessoa, numa proxémia mais íntima, nas relações intra e interpessoais quotidianas. O grande desafio é aliar as propostas inovadoras do tempo presente, em termos tecnológicos, através da multiplicidade de oportunidades para aprender, com a dimensão de desenvolvimento da pessoa humana. Quanto mais a sociedade se torna tecnológica, mais será necessária uma resposta humana compensatória. Essa será uma das funções da cultura que é providenciar um alto e selectivo nível de estabilidade entre o homem e o mundo que o rodeia. Neste sentido percepciona-se a cultura como uma força unificante que reconcilia as pessoas e a tecnologia, a simplicidade e a complexidade, o individual e o colectivo, almejando sempre o desenvolvimento equilibrado da pessoa.

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