Uma reflexão sobre a inovação das atividades experimentais no ensino de física
Mayumi Fukutani Presa
Professora de Fisica
Instituto Federal de Educacao, Ciéncia e Tecnologia da Bahia (Brasil)
A análise da representatividade do laboratório didático no processo de ensino e aprendizagem de Física constitui motivos de reflexão e preocupação quanto ao seu papel no ensino de Física.
Sabe-se que muito se tem discutido e diversas propostas já foram feitas, com o intuito de se contribuir efetivamente para a melhoria do ensino de ciência. Há uma corrente de opinião que defende a idéia de que muitos dos problemas do ensino de ciência se devem à ausência de aulas de laboratório.
Uma condição necessária para promover a melhoria da qualidade no processo de ensino e aprendizagem de Física consiste em equipar as escolas de laboratórios e treinar os professores para utilizá-los. Entretanto, mesmo nos países onde a tradição de ensino experimental está bem sedimentada, a função que o laboratório pode, e deve ter, bem como a sua eficácia em promover as aprendizagens desejadas, tem sido objeto de questionamentos, o que contribui para manter a discussão sobre a questão há alguns anos (Woolnough, 1991; White, 1996).
Segundo Borges, “no que é denominado de laboratório tradicional, o aluno realiza atividade experimental, com ênfase na observação e medidas, a acerca de fenômenos previamente determinado pelo professor. Em geral, os alunos trabalham em grupos e seguem as instruções de um roteiro. O objetivo da atividade prática pode ser o de testar uma lei científica, ilustrar idéias e conceitos aprendidos nas “aulas teóricas”, descobrir ou formular uma lei acerca de um fenômeno específico, “ver na prática” o que acontece na teoria, ou aprender a utilizar alguns instrumentos ou técnica de laboratório específica”.
Na perspectiva dos alunos, as atividades práticas do laboratório tradicional não contribuem significativamente no processo de aprendizagem, uma vez que, tento o problema como o procedimento para resolvê-lo estão previamente determinados. As operações de montagem dos equipamentos, as coletas de dados e os cálculos para obter as respostas esperadas consomem quase todo tempo disponível. Desta forma, os estudantes acabam dedicando pouco tempo à análise e interpretação dos resultados e não conseguem compreender o significado da atividade realizada.
Segundo White, o laboratório tradicional é pouco efetivo em proporcionar uma apreciação sobre a natureza da ciência e da investigação científica e em facilitar o desenvolvimento de habilidades estratégicas.
Considerando as diretrizes sugeridas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s, de propiciar ao ensino de Física novas dimensões, promovendo um conhecimento integrado à vida do jovem, que leve em consideração uma realidade próxima ou distante, além dos objetos e fenômenos com os quais lida efetivamente. Estabelece como critério de avaliação dos alunos suas competências e habilidades em Física de um modo geral e, mais especificamente, suas habilidades de, dada uma situação-problema, identificar a situação Física, utilizar modelos físicos, prever e avaliar situações semelhantes.
Com base no pressuposto de que os estudantes já tenham adquiridos alguns conceitos básicos de Física Clássica necessários para estruturar organizadores prévios a fim de proporcionar a formação de subsunçores adequados na estrutura cognitiva dos aprendizes, o processo de inovação das atividades experimentais poderá ser iniciado com implementação do modelo já utilizado no Colégio Técnico da UFMG, Belo Horizonte.
O modelo consiste em estruturar as atividades experimentais como uma investigação ou problemas práticos mais abertos, que os alunos devem resolver sem a direção imposta, com a liberdade total no planejamento, com o compromisso da exploração de fenômenos e com a responsabilidade na investigação.
A análise da avaliação da atividade experimental, com nova metodologia, poderá indicar o caminho a ser seguido para iniciar a implementação da inovação das práticas de Física.
Na busca da inovação do laboratório deverá ser levada em conta a especificidade e a adversidade cultural da região e com a metodologia de pesquisa inclusiva busca promover a construção do processo coletivamente.
“O homem enche de cultura os espaços geográficos e históricos. Cultura é tudo o que é criado pelo homem. Tanto uma poesia como uma frase de saudação. A cultura consiste em recriar e não em repetir. O homem pode fazê-lo porque tem uma consciência capaz captar o mundo e transformá-lo (FREIRE, 1979, p. 30-31)”.
Referências
BORGES, A.T, In: Caderno Brasileiro de Ensino de Física, volume 19, n.3, dezembro de 2002.
FREIRE, Paulo. Educação e mudança. 24 Ed, Rio de Janeiro: 1979.
MEC PCN Ensino Médio. Brasília: SENTEC/MÊS 1999.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2001.
SOUZA Carlos Henrique Medeiros de & Gomes, Maria Lúcia Moreira. Educação e Ciberespaço. 1 Ed, Brasília: 2008.
WHITY, R. F. The link between the laboratory and learning. International Journal of Science Education. V; 18, n.7, p761-774. 1996.
WOOLNOUGH, B. .Practical Science, Milton Keynes: Open University Press, 1991