Alimento concentrado balanceado para alimentação animal
Helen Ramalho de Farias BRASIL -IBAMA - UFPB, PPGEM/CT, DN/CCS
O acelerado crescimento demográfico e, o conseqüente aumento do consumo de alimentos têm intensificado as práticas agropecuárias no Brasil. O aumento da área plantada acarreta grandes extensões desmatadas aliada ao emprego abusivo de fertilizantes e agrotóxicos, que além de onerosos, representam um sério risco para o meio meio ambiente e a saúde humana. Para se obter colheitas com o máximo rendimento, faz-se necessário devolver ao solo os nutrientes subtraídos pelos vegetais, incorporando adubos inorgânicos para melhorar sua fertilidade. Por este motivo, as adubações, o combate à erosão e às pragas são práticas rotineiras nas propriedades rurais do nordeste, sudeste e centro-oeste brasileiro.
Como conseqüência desse crescimento acelerado, ocorre uma série de danos e impactos ambientais, oriundos desde a erosão do solo, passando pela contaminação do meio ambiente com agrotóxico, até assoreamento dos rios. Os rios têm sido cada vez mais poluído com os defensivos agrícolas lançados ao Meio ambiente sem nenhum criterio e proteção adequadas. Estes problemas tornam-se ainda mais graves, não só em função da maior densidade populacional, mas porque estes são acompanhados de maior concentração de atividades industriais que entregam à sociedade bens e serviços, vindo a consumir potencial elevado de matérias-primas e energia, que geram mais resíduos.
As atividades das agroindústrias em geral, quando não usam técnicas adequadas de fertilização, combate às pragas e gerenciamento de seus resíduos, degradam o solo com remoção da vegetação nativa, queimadas, capinas químicas, agrotóxicos, além de gerar vários tipos de resíduos sólidos e efluentes líquidos em seu processamento, os quais se não tratados ou dispostos racionalmente, alteram o ecossistema em geral manifestando-se de diversas formas: poluição hídrica, poluição do solo, poluição atmosférica, chuvas ácidas e a destruição da camada de ozônio, comprometendo a nossa qualidade de vida, ocasionando riscos à saúde e ao Meio Ambiente.
Dentre os problemas enfrentados pelos pecuaristas, talvez o de maior gravidade seja o de alimentação animal, por ser o que exige maiores dispêndios e cuidados especiais.
No mundo atual com a escassez de alimentos há a necessidade do aproveitamento dos subprodutos da industrialização, bem como da parte aérea da vegetação. Novas alternativas devem ser originadas com a utilização racional destes subprodutos, que são denominados como resíduos, coprodutos, restos de aparas de alimentos, entre outros. A cultura mandioca neste trabalho é enfocada pelo motivo do seu aporte nutritivo e também pela sua excelente digestibilidade ao longo do trato gastrointestinal dos animais domésticos. Beneficiar e processar as partes aéreas (hastes e folhas) e as subterrâneas da Mandioca (raiz) para a produção, respectiva, de feno e farelo deve ser uma prática constante na atividade do homem do campo nordestino, uma vez que as condições agrícolas da região não favorecem a produção da vegetação durante toda época do ano.
Considerando a alimentação animal como elo entre a produção de biodiesel e a pecuária, propomos o estudo da utilização de subprodutos destes empreendimentos na alimentação animal, visando aumentar a produtividade e diminuir as emissões de gases de efeito estufa pelos animais, gerando créditos de carbono e atendendo ao interesse das indústrias produtoras de biocombustível.
Com a introdução de óleo vegetal na cadeia produtiva do biocombustível no Brasil, é esperado o aumento da demanda por plantas oleaginosas e ofertas de tortas e farelo de origem vegetal resultante da extração do óleo. Esses resíduos industrias possuem grandes aportes nutritivos e energéticos, que precisam ser utilizados de forma inteligente, economica e racional, com vista ao emprego de técnicas de processamento de facil captação pelo homem do campo do nordeste brasileiro. Essa técnica de processo transforma os residuos industriais e do campo em alimento concentrado balanceado para alimentação animal.
Neste contexto é importante destacar que a produção de alimento concentrado para aves e suínos representa no Brasil mais de 80% do total de todos os alimentos concentrados produzidas para animais, sendo estimativas para 2011, com relação avicultura de corte, setor de maior demanda no país, mais de 32 milhões de toneladas e para a avicultura de postura (galinhas poedeiras) deve quebrar a barreira de 5,4 milhões de toneladas. Apesar do crescimento de 11% na receita das exportações de carne suína até novembro de 2010, a estimativa para 2011 é consumir cerca de 15,4 milhões de toneladas de concentrados balanceados, em razão da estabilidade apurada no alojamento de matrizes industriais e de subsistência.