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Análise Espacial dos casos de Hanseníase em Bayeux (PB): percepção, riscos e abordagem ambiental do processo saúde-doença ©
All content on this website are freely distributed. Click for more information Date : Diciembre 25, 2011   | Published by : Helen Email: Not available Web: About: Enga. Alimentos, Enga. Segurança do Trabalho, Mestre em Ciência e Tecnologia dos Alimentos, Discente em Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica (UFPB - Brasil), Discente em Doutoramento de Educacao na Universidad Autonoma de Asuncion - Paraguai e Profa. da disciplina Tecnologia dos Alimentos do Departamento de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Federal da Paraíba - Brasil.See Authors Articles (13)  | 0 Comment/s Category : Environment and Agroalimentation | Language : Portuguese Author/s : Helen Ramalho Farias Pinto, Richarde Marques da Silva, Samir Fernandes, Helen Karla Ramalho Farias Pinto |
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A sociedade atual cria riscos que afetam de forma desigual a população,e em Bayeux/PB, os riscos epidemiológicos de doenças infectocontagiosas, como a Hanseníase é um fator preocupante para a comunidade. Assim, o objetivo deste estudo foi analisar espacialmente os focos de hanseníase, quanto às proximidades com as Unidades Básicas da Saúde (UBS) e hospitais deste município. |
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ANÁLISE ESPACIAL DOS CASOS DE HANSENÍASE EM BAYEUX:percepção, riscos e abordagem ambiental do processo saúde-doença
HELEN RAMALHO DE FARIAS PINTO1; RICHARDE MARQUES DA SILVA2; SAMIR FERNANDES3; HELEN KARLA RAMALHO DE FARIAS PINTO4
1)Analista Ambiental do Ibama/PB; Ms. Dep. Nutrição UFPB; Discente do PPGEM/UFPB(CT); Tec.Geoprocessamento/FIP/PB; Enga. Seg. Trabalho, Mestre em Tec. dos Alimento;Corretora de Imóveis (E-mail: helenrpinto@hotmail.com); 2) Dr. Dep. Geociências (CCEN) UFPB (E-mail:richarde@geociencias.ufpb.br); 3) Bolsista de Iniciação Científica CNPq, Dep. Geociências, UFPB, (E-mail:samir_fernan10@hotmail.com), Discente de eng. Civil, CT,UFPB, (E-mail:helenkrfp@hotmail.com),
O aumento populacional juntamente com as péssimas condições ambientais permitiu também o aumento de diversas doenças infectocontagiosas. Nesse contexto as agressões ambientais e as moléstias, como é o caso da hanseníase têm aumentado consideravelmente nas áreas urbanas, provocando diversos problemas para a saúde pública. Wiesenfeld (1995) apresentou um estudo sobre avaliação de moradias em Caracas, sob a perspectiva da psicologia ambiental, salienta o conceito de qualidade ambiental como indicador da qualidade de vida, afirma que:
La qualidad ambiental, es um término complejo y multidimensional que engloba los direfentes componentes de la evaluación ambiental. Se basa em nociones extraídas de la referencia personal del individuo, y para cada clase de edificaciones ambientais (residências, oficinas, escolas), com lo qual se obtienen los elementos salientes del constructo para cada dimensión, y se adquire uma información completa sobre los indicadores objetivos y subjetivos de la calidad ambiental (p.26).
Dessa forma, analisar qualidade de vida em áreas urbanas é algo que se faz necessário para o bom crescimento de uma cidade moderna. Bassani (2004) ao discutir a qualidade ambiental da cidade de Santiago do Chile e outras grandes cidades da América Latina, propõe a utilização do conceito qualidade ambiental e não qualidade de vida, por considerar ser este um conceito muito amplo e de difícil mensuração. Esse autor salienta ainda a vantagem de se usar o termo qualidade ambiental urbana, através de indicadores que, efetivamente, posam ser medidos, como: qualidade da água, do ar, a disponibilidade d’água potável, a freqüência de transporte ou outros critérios. Porém, ressalta a necessidade de aplicação de metodologias que avaliem o “ambiente percebido pelas pessoas”.
Atualmente, diversos tipos de patologias continuam contaminando os indivíduos, como é o caso da hanseníase. Essa é uma doença infectocontagiosa causada pelo Micobacterium leprae, que apresenta alta infectividade, baixa patogenicidade e evolução lenta. Essa doença manifesta-se essencialmente por acometimento do sistema nervoso periférico e da pele, apresentando alto potencial incapacitante. Em 2004, cerca de 400.000 casos novos da doença foram detectados no mundo, sendo 49.384 deles diagnosticados no Brasil (DIAS et al., 2005). Segundo dados da Organização Mundial de Saúde – OMS 91 países registraram casos de hanseníase em 2000, entre eles Índia, Birmânia e Nepal, totalizaram 70% do total. Entretanto, em países desenvolvidos essa doença é quase inexistente, como por exemplo, na França que em 2003 contabilizou apenas 250 casos declarados da doença (MATOS et al., 1999).
Historicamente, essa doença é marcada pelo preconceito contra o indivíduo portador da doença e sua família, e sua magnitude e abrangência tornam-na um grave problema de saúde pública. Segundo Osugue et al. (2004), as lesões desfigurantes e mutilações que aparecem em decorrência da doença eram interpretadas como castigo divino, e muitas vezes levavam os doentes a viverem em leprosários, permanecendo assim afastados do convívio social, como ocorria até o início da década 2000.
Diante desses problemas de saúde ambiental e de qualidade de vida, este estudo tem por objetivo analisar os focos de disseminação da Hanseníase no Município de Bayeux/PB, além de analisar o ambiente de sua vizinhança, averiguando suas proximidades com Unidades Básicas de Saúde da Família – UBS’s e hospitais.
Em 1854, o primeiro estudo clássico foi realizado por John Snow, que tratava da cólera em Londres, utilizando como base a relação entre essa doença e o suprimento de água por meio de diversas bombas d’águas públicas de abastecimento (CÂMARA et al., 2009). Nessa pesquisa concluiu que a busca do conhecimento dos fatos mais precisos é imprescindível para uma formulação de uma possível explicação causal do problema e teve a explicação de uma epidemia sem conhecer seu agente etiológico.
Os mapas temáticos são instrumentos poderosos na análise espacial do risco de determinada doença, apresentando os seguintes objetivos: descrever e permitir a visualização da distribuição espacial do evento; exploratório, sugerindo os determinantes locais do evento e fatores etiológicos desconhecidos que possam ser formulados em termos de hipóteses e apontar associações entre um evento e seus determinantes (MALTA et al., 2001).
Um estudo da variação espacial dos eventos produz um diagnóstico comparativo, que pode ser utilizado das seguintes formas: para acompanhar a disseminação dos agravos à saúde, indicar os riscos a que a população está exposta, fornecer subsídios para explicações causais, definir prioridades de intervenção e avaliar o impacto das intervenções.
Nesse contexto, o uso de técnicas de Geoprocessamento é de grande valia para o planejamento e gerenciamento ambiental e do processo saúde-doença de um ambiente, pois, o Geoprocessamento permite a organização e análise espacial dos dados das ocorrências das doenças e um completo mapeamento da localização de postos de saúde e possíveis vetores causadores de doenças. O Geoprocessamento utiliza um conjunto de técnicas matemáticas e computacionais, direcionadas ao tratamento de informações coletadas sobre objetos ou fenômenos geográficos identificados (MOREIRA, 2001).
O Geoprocessamento presta-se ainda, para produção de mapas temáticos que venham facilitar um melhor entendimento e acompanhamento das agressões espacializadas a partir da manipulação do Sistema de Informação Geográfico – SIG, facilitando a tomada de decisão de maneira rápida e eficaz, para disponibilizar na prática ações em diferentes linhas do segmento.
Segundo Rodrigues (1990), o Geoprocessamento consiste em um conjunto de tecnologias de coleta e tratamento de informações espaciais e de desenvolvimento, e uso, de sistemas que as utilizam. As técnicas de Geoprocessamento são utilizadas para áreas urbanas em diversas atividades, como: planejamento urbano, gerenciamento ambiental seja, agrícolas, de loteamentos e até mesmo projetos de vias (terrestres, rodovias e ferrovias) e rotas marítimas (deslocamentos de esquadra e plataformas petrolíferas), entre outras. A Cartografia Digital, o Sistema de Informação Geográfico (SIG), Sensoriamento Remoto, Bancos de dados, Computer-aided Design (CAD) e Global Positioning System (GPS), constituem um conjunto de ferramentas que formam o Geoprocessamento. Essas ferramentas permitem a interação do usuário com dados geográficos e bases espacializadas obtidos por diversos meios (MOREIRA, 2001).
Para Hino et al. (2006), os métodos para análise espacial são assim divididos: (a) visualização – onde o mapeamento de eventos de saúde é a ferramenta primária, variando desde a distribuição pontual de eventos até superposições complexas de mapas de incidências de doenças os quais descrevem a distribuição de determinadas variáveis de interesse; (b) análise exploratória de dados – utilizada para descrever padrões espaciais e relação entre mapas; e (c) modelagem – utilizada quando se pretende testar formalmente uma hipótese ou estimar relações, como, por exemplo, entre a incidência de uma determinada doença e variáveis ambientais.
A aplicação do Geoprocessamento na pesquisa em saúde oferece grandes possibilidades, disponibilizando aos pesquisadores a aplicação de novas tecnologias para o manejo de sua informação espacial, tornando-se uma poderosa ferramenta para conexão entre saúde e ambiente.
2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Figura 1 – Localização e uso e ocupação do solo do Município de Bayeux/PB, em 2011.
Base cartográfica: Imagem Ikonos de 2010.
Neste estudo foi utilizada imagem de alta resolução espacial (
Em seguida, os casos foram georeferenciados, para isso, utilizaram-se as bases por endereço urbano de Bayeux, fornecida pela Prefeitura Municipal de Bayeux. Depois desta etapa, foram obtidas as localizações geográficas dos postos de saúde, farmácias e hospitais utilizando GPS. Esses geo-objetos foram importados para a base espacial georeferenciada.
Os dados dos casos notificados e confirmados da Hanseníase, por endereço, do período de
Após essa etapa, foi calculada a densidade dos casos de hanseníase no município mediante a utilização da extensão Spatial Analyst e do interpolador Inverso da Distância ao Quadrado – IDW. Essa técnica foi utilizada para identificar núcleos de agrupamento de ocorrência dos casos da moléstia, além da determinação das possíveis áreas de risco. A partir dos mapas gerados delimitou-se a área de maior concentração de casos da doença para a realização de uma campanha de busca de casos novos. Também foi utilizada a técnica de área de influência, conhecida como Buffer, na qual era atribuído um raio de influência da UBS.
Na área selecionada existem 29 UBS’s, todas com equipes de programa de saúde da família (PSF) implantado (Quadro 1). As estratégias da Campanha de Saúde incluíram treinamento de todos os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), médicos e enfermeiros da área, confecção e distribuição de panfletos educativos e aquisição de medicamentos para tratamento de dermatoses mais prevalentes.
Quadro 1 – Unidades de Saúde Básica da Família, sua localização geográfica, bairro e número de casos de hanseníase registrados no município de Bayeux/PB, de
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Nome da UBS (Código) |
Coordenada X (m) |
Coordenada Y (m) |
Bairro, Nº de caso(s) |
|
USB Alto da Boa Vista I (2342472) |
285.755 |
9.211.009 |
Alto da Boa Vista (07) |
|
USB Alto da Boa Vista II (3027139) |
285.987 |
9.211.318 |
Alto da Boa Vista (16) |
|
USB Baralho (2343096) |
290.407 |
9.212.475 |
Baralho (04) |
|
USB Brasília II (2356945) |
286.463 |
9.211.602 |
Brasília (02) |
|
USB Centro I (2356902) |
287.686 |
9.211.842 |
Centro (04) |
|
USB Centro II (2356937) |
286.913 |
9.211.739 |
Centro (07) |
|
USB Comercial Norte I (2356988) |
288.071 |
9.208.979 |
Comercial Norte (03) |
|
Hospital C. Getulio Vargas (3608832) |
287.307 |
9.211.264 |
Imaculada (17) |
|
USB Imaculada I (2342456) |
287.177 |
9.211.235 |
Imaculada (04) |
|
USB Imaculada II (3027112) |
287.119 |
9.211.101 |
Imaculada (05) |
|
USB Imaculada III (3027120) |
287.247 |
9.211.065 |
Imaculada (11) |
|
USB Jardim Aeroporto I (2356953) |
286.192 |
9.210.208 |
Jardim Aeroporto (02) |
|
USB Jardim Aeroporto II (3027147) |
286.228 |
9.210.215 |
Jardim Aeroporto (02) |
|
USB Manguinhos (2356929) |
287.900 |
9.210.741 |
Manguinhos (01) |
|
USB Mário Andreazza I (2342405) |
287.185 |
9.209.462 |
Mário Andreazza (05) |
|
USB Mário Andreazza II (3027155) |
287.226 |
9.209.450 |
Mário Andreazza (10) |
|
USB Mário Andreazza III (2356961) |
287.765 |
9.210.193 |
Mário Andreazza (04) |
|
Policlínica M. B. Maranhão (2342413) |
288.046 |
9.211.805 |
Centro (77) |
|
USB Rio do Meio I (2342421) |
286.633 |
9.210.857 |
Rio do Meio (17) |
|
USB Rio do Meio II (3027104) |
286.651 |
9.210.918 |
Rio do Meio (01) |
|
USB São Bento I (2342464) |
289.431 |
9.212.292 |
São Bento (03) |
|
USB São Bento II (3027090) |
289.444 |
9.212.059 |
São Bento (09) |
|
USB São Lourenço I (2342391) |
286.799 |
9.212.330 |
São Severino (02) |
|
USB São Vicente I (2356910) |
287.687 |
9.211.270 |
São Vicente (04) |
|
USB São Vicente II (3027082) |
287.917 |
9.211.262 |
São Vicente (07) |
|
USB SESI I (3044556) |
288.483 |
9.212.179 |
SESI (05) |
|
USB SESI II (2356899) |
288.590 |
9.212.146 |
SESI (06) |
|
USB SESI III (3027066) |
288.552 |
9.212.135 |
SESI (05) |
|
USB Tambay (2342448) |
286.061 |
9.211.667 |
Tambay (02) |
Fonte: Coordenadas localizadas partindo de dados da Secretaria da Saúde (SINAN) de Bayeux/PB, 2011.
Deve-se ressaltar que alguns endereços tiveram problemas e não foram passíveis de geocodificação, pois, estavam incompletos, se tratavam de ruas novas, e não possuíam numeração das residências. Em seguida, inseriu-se a malha dos bairros do município para avaliar quais os locais de maior incidência da respectiva patologia. A partir disso, a análise da categoria geográfica “lugar”, torna-se para esta pesquisa, uma ponte entre o espaço e o indivíduo, as políticas públicas e as ações efetuadas, os diferentes signos e sensações envolvidas no processo saúde-doença, tudo isso levando em conta a dimensão do cotidiano da população.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Figura 2 – Distribuição geográfica dos casos de hanseníase no município de Bayeux/PB,

Figura 3 – Localização geográfica dos principais focos de ocorrências de casos de hanseníase, segundo as residências nos bairros em Bayeux/PB, de
Os fatores que impediram o georreferenciamento da totalidade dos casos foram: endereço informado inexistente ou não preenchimento do campo endereço. Isso aponta para a necessidade de uma melhor qualidade das informações que possam ser usadas em benefício da comunidade a fim de que se tomem as medidas adequadas para a redução dos danos aos indivíduos acometidos e seus comunicantes e, consequentemente, para impedir a disseminação da doença na comunidade. O Quadro 2 apresenta as ocorrências dos casos de hanseníase, segundo os bairros do município de Bayeux/PB, no período analisado nesta pesquisa.
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Bairro |
Total |
Número de Casos (%) |
% Acumulado |
|
Alto da Boa Vista |
19 |
9,0 |
9,0 |
|
Baralho |
06 |
2,8 |
11,8 |
|
Brasília |
03 |
1,4 |
13,3 |
|
Centro |
29 |
13,7 |
27,0 |
|
Comercial Norte |
08 |
3,8 |
30,8 |
|
Imaculada |
28 |
13,3 |
44,1 |
|
Jardim Aeroporto |
14 |
6,6 |
50,7 |
|
Jardim São Vicente |
04 |
1,9 |
52,6 |
|
Mário Andreazza |
28 |
13,3 |
65,9 |
|
Rio do Meio |
32 |
15,2 |
81,0 |
|
São Bento |
15 |
7,1 |
88,2 |
|
São Severino |
03 |
1,4 |
89,6 |
|
SESI |
17 |
8,1 |
97,6 |
|
Tambay |
06 |
2,4 |
100,0 |
|
TOTAL |
212 |
100,0 |
– |
Fonte: Dados calculados partindo das informações da Secretaria da Saúde (SINAN) de Bayeux/PB, 2011.
Os bairros mais acometidos pela doença foram: Rio do Meio (32 casos – 15,2%), Centro (29 casos – 13,7%), Imaculada (28 casos – 13,3%) e Mário Andreazza (28 casos – 13,3%), que totalizaram 57,8% do total dos casos do município; entretanto, observam-se outras áreas importantes, porém com menor concentração de casos, como os bairros: do Alto da Boa Vista, SESI, São Bento e Jardim Aeroporto. Já os bairros Tambay, São Severino, Jardim São Vicente, Brasília, Comercial Norte e Baralho, durante o período estudado apresentaram os menores números de casos de hanseníase no município (Quadro2).
A Figura 4 visualiza a distribuição geográfica das ocorrências de hanseníase para o período compreendido entre 2001 e 2011, segundo os bairros em Bayeux/PB. As maiores ocorrências variaram entre 20 (vinte) e 32 (trinta e dois) casos, enquanto as menores entre 3 (três) e 5 (cinco) casos.

Figura 4 – Distribuição geográfica das ocorrências de hanseníase, segundo os bairros no município de Bayeux/PB, de

Figura 5 – Mapa de densidade dos casos novos de hanseníase atendidos nas UBS’s em Bayeux/PB, entre os anos de 2001 e 2011.

Figura 6 – Localização das ocorrências de hanseníase e áreas de ocupação subnormais em Bayeux/PB, entre os anos de 2001 e 2011.

Figura 7 – Mapa da área de influência das UBS’s no município de Bayeux/PB, em 2011.

Figura 8 – Número de casos de ocorrência de Hanseníase por faixa etária no Município de Bayeux/PB, durante o período de

Figura 9 – Número de casos de ocorrência de hanseníase segundo o grau de avaliação de incapacidade física no diagnóstico de casos de ocorrência de hanseníase por faixa etária no Município de Bayeux/PB, durante o período de 2001 e 2011.
A distribuição dos casos também não é homogênea, mesmo dentro dessa área mais acometida, com focos de maior concentração em alguns quarteirões. Mercaroni (2003) afirma que “o espaço socialmente organizado, integrado e profundamente desigual, não apenas possibilita como determina a ocorrência de endemias e sua distribuição”. A cidade de Bayeux é cortada por vários rios, entre eles o Rio Paraíba, Rio Sanhauá, Rio Paroeiras, Rio do Meio e Rio Marés, e a região com maior número de casos de hanseniase é drenada pelo Rio do Meio (Figuras 10 e 11).
As Figuras 10 e 11 mostram o Rio do Meio invadido, em detalhes dos descasos dos órgãos públicos competentes, onde são visualizadas as residências uni - familiares já instaladas, as novas construções (em alvenaria), deposição de grande quantidade de lixo, esgoto doméstico e materiais diversos, em Áreas de Preservação Permanente (APP).
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Figura 10 – Área do Rio do Meio com invasão de construção civil (imóvel em alvenaria). |
Figura 11 – Área do Rio do Meio invadida com materiais diversos, lixo e esgoto doméstico. |
Fonte: Acervo fotográfico de Helen R. F. Pinto, fotos digitalizadas em Bayeux/PB (bairro Rio do Meio), em 10.11.2011.
As Figuras 12 e 13 apresentam o esforço de pesca com atividades dos tipos “cerco em curral” e “arrasto”, ambas realizadas em região de mangue, em Bayeux/PB.
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Figura 12 – Atividade de pesca com rede de espera tipo “cerco em curral”, realizada no rio Sanhauá, afluente do rio Marés. |
Figura 13 – Atividade de pesca em região de mangue, realizada com rede de arrasto no Rio Sanhauá. Ao fundo verifica-se a supressão do manguezal. |
Fonte: Acervo fotográfico de Helen R. F. Pinto, material digitalizado sobre a ponte da Av. Nova Liberdade, em Bayeux/PB, em 03.10.2011.
O estudo da distribuição espacial da Hanseníase no Município de Bayeux/PB, utilizando técnicas de Geoprocessamento, forneceu informações que não seriam visualizadas trabalhando apenas com dados tabulares. A maior concentração de casos da doença na área composta pelos bairros: Centro, Rio do Meio e Alto da Boa Vista já era conhecida, todavia, como esses bairros apresentam extensa área geográfica e uma grande concentração populacional, não se tinha uma visualização espacial da distribuição real da doença. A partir do georeferenciamento dos casos da doença foi possível a identificação dos focos. Isso mostrou a situação geográfica atual da endemia, destacando-se que, na área mais endêmica, foi encontrado, também, um valor considerável de casos em menores de 15 anos de idade e de casos com Grau II de Incapacidade Física no Diagnóstico, alertando aos pesquisadores e à Gerência de Saúde do município que a Hanseníase não se encontra disseminada em toda a área deste município, mas se concentra em bolsões que necessitam de mais atenção por partes dos organismos que desenvolvem ações voltadas para sua eliminação.
Compilamos com esta pesquisa, que dos 242 (duzentos e quarenta e dois) casos de indivíduos residentes em Bayeux/PB infectados com a doença hanseníase, no período de
O estudo da distribuição espacial da hanseníase no Município de Bayeux/PB utilizando técnicas de Geoprocessamento mostrou-se eficaz e de grande valia para o entendimento epidemiológico e na ordenação de ações com objetivo de bloquear a expansão desta doença infectocontagiosa.
A visualização espacial da endemia elucidou a priori dúvidas quanto à localização real dos casos, mostrando que a doença, neste município, está mais concentrada em bolsões localizados em áreas periféricas, próximas às margens de rios, onde reside a população com baixo padrão socioeconômico, conforme constatações feitas durante a pesquisa de campo e pelos mapas temáticos construídos neste trabalho.
A pesquisa utilizando o Geoprocessamento trouxe resultados duráveis no que tange à descoberta dos focos da hanseníase que deverão ser trabalhados a partir de Políticas Públicas de Controle, bem como, criou subsídios e dados concretos para um estudo epidemiológico, que ajudarão no entendimento da instalação da doença no município e na quebra da corrente de transmissão. Outro fator importante é que os dados levantados serão mantidos num banco de dados que poderá ser analisado em qualquer tempo, mudando apenas as variáveis a serem estudadas.
A utilização do georeferenciamento na identificação dos casos de Hanseníase mostrou-se uma ferramenta de extrema importância, haja visto que traz informações claras e precisas aos técnicos envolvidos nas Ações de Eliminação, sobre as áreas em que a doença está efetivamente instalada – representando essa nova tecnologia de extrema importância para a implantação de Políticas Públicas adequadas a Saúde das Comunidades, com meta no direcionamento de Campanhas e Ações Sociais, que possam interferir de forma significativa, no Controle desta Doença Infectocontagiosa na República Federativa do Brasil e no mundo.
SANTOS, M. A urbanização brasileira, São Paulo: Hucitec, 1993.

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