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IMPLANTAÇÃO DA COLETA SELETIVA EM UMA UNIDADE DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
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PINTO, H. R. F.; COUTINHO, I. A.; BEZERRA, J. A.; GONZAGA, L. K. M.
A Política dos 3 R é um conjunto de medidas criadas para melhorar a gestão dos resíduos ambientais, que pressupõe a redução do uso de matérias-primas e energia e do desperdício nas fontes geradoras, a reutilização direta dos produtos e a reciclagem de materiais. A ordem entre os R´s também tem suas coerências: reduzindo-se, evita-se a reutilização e, reutilizando-se, evita-se a reciclagem. A Política dos 3R faz parte da “Agenda 21", documento com propostas para o desenvolvimento sustentável aprovado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), em 1992, no Rio de Janeiro- Brasil, também conhecida por ECO-92.
1. INTRODUÇÃO
O Brasil produziu 60,8 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2010, quantia 6,8% superior ao registrado em 2009 e seis vezes superior ao índice de crescimento populacional urbano apurado no mesmo período. Contudo, tanto a correta destinação desses resíduos quanto os programas de coleta seletiva não avançam na mesma proporção, segundo dados do estudo Panorama dos Resíduos Sólidos (RIBEIRO & LIMA, 2000).
De acordo com o levantamento realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em 2010 a média de lixo gerado por pessoa no país foi de 378 quilos (kg), montante 5,3% superior ao de 2009 (359 kg). Ao longo de 2010, o montante chegou a 60,8 milhões de toneladas de lixo. Dessas, 6,5 milhões de toneladas não foram coletadas e acabaram em rios, córregos e terrenos baldios. Do total de resíduos produzidos, 42,4%, ou 22,9 milhões de toneladas/ano, não receberam destinação adequada: foram para lixões ou aterros controlados (que não têm tratamento de gases e chorume).
A coleta seletiva consiste na separação, na própria fonte geradora, dos componentes que podem ser recuperados, mediante acondicionamento distinto para cada componente ou grupo de componentes. Posteriormente, os resíduos separados, por tipo de material, estarão dispostos, de forma seletiva, para serem conduzidos a postos de aproveitamento, ou diretamente comercializados para os sucateiros (SANTOS,1995). Neste tipo de coleta, a etapa da pré-coleta (manuseio, acondicionamento e segregação) tem papel preponderante. Isto porque o cidadão passa, de forma deliberada, de uma situação passiva a um papel ativo, como processador dos materiais na origem. Portanto, um programa de coleta seletiva deve dar atenção especial ao fator humano (SANTOS,1995).
No Brasil, a primeira experiência de coleta seletiva com resultados foi um programa no bairro de São Francisco, em Niterói-Rio de Janeiro/Brasil, em 1985. Atualmente, de acordo com o CEMPRE (2004), existem, no Brasil, cerca de 240 programas de coleta seletiva, distribuídos em diferentes municípios. Os programas brasileiros deste tipo de coleta apresentam duas modalidades: a coleta porta a porta e a de entrega em postos fixos, que são denominados PEV’s ou LEV’s (Postos ou Locais de Entrega Voluntária). A produção de resíduos sólidos provenientes de Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN) constitui-se evidência em toda a cadeia de produção da refeição até sua distribuição. Controlar a demanda deste ’lixo’ com objetivo de preservar o meio ambiente é fundamental para que haja uma interação das ferramentas de Gestão Ambiental com as rotinas operacionais da Unidade de Alimentação e Nutrição (Associação Brasileira de Nutrição). O presente estudo tem por objetivo a conscientização dos funcionários da Unidade de Alimentação e Nutrição – U. A. N., no município de João Pessoa – Paraíba, da República Federativa do Brasil, levando conhecimento sobre a reciclagem de materiais e instruindo sobre o consumo racional e consciente, a redução do lixo orgânico e inorgânico e o procedimento adequado de descarte dos resíduos provenientes do restaurante universitário estudantil.
2.REVISÃO DA LITERATURA
2.1 O LIXO: O lixo se trata de um conjunto heterogêneo de elementos desprezados durante um dado procedimento e, pela forma como é tratado, assume um caráter depreciativo, sendo associado à sujeira, de educação e outras conotações negativas (RIBEIRO, T. F.; LIMA, S. C. 2000). Também chamado de rejeito, passa por um processo de exclusão: ele é “posto fora de casa” e deve cumprir ritos de passagem, respeitando regras próprias. Assim, não pode ser deixado em qualquer lugar. Deve ser acondicionado em sacos e latas de lixo, havendo horários estabelecidos para o seu recolhimento (RIBEIRO, T. F.; LIMA, S. C. 2000). Segundo os ambientalistas, uns dos mais graves problemas ambientais urbanos da atualidade constituem os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), mais conhecidos como lixo. (LAYARGUES, 2002).
Legislação emanada atual (julho/2011): Associando toda a problemática dos RSU à constante necessidade de aperfeiçoamento das ações de controle sanitário na área de alimentos, pode-se adotar a Resolução - RDC nº 216/2004 (ANVISA, 2004) e a Resolução nº RDC 275/2002 (ANVISA, 2002) que dispõem, respectivamente, sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação e Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados aplicados aos estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos, visando à melhoria higiênico-sanitária de uma Unidade de Alimentação e Nutrição.
3. METODOLOGIA
O trabalho foi desenvolvido nos meses de março a julho de 2011 em uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) localizada no município de João Pessoa/PB - Brasil, que fornece cerca de 2.000 refeições diariamente e possui 50 funcionários. Foi realizado um trabalho de conscientização com os funcionários com o objetivo de implantação da coleta seletiva na UAN em estudo. Essa iniciativa foi a partir do Projeto Coleta Seletiva Solidária da instituição educacional federal na qual a UAN está inserida. O treinamento foi aplicado a toda equipe da UAN, dividido em três etapas: A primeira com teórica, na qual foi explicada toda a problemática do lixo, incluindo causas e conseqüências para a sociedade e meio ambiente, bem como o procedimento correto para o descarte dos materiais recicláveis. Para o melhor entendimento dos funcionários foi elaborado um folder explicativo sob o tema: Coleta Seletiva. A segunda etapa de observação e reforço do aprendizado, além da verificação da rotina dos funcionários, foram fixados no mural da UAN pequenos textos e curiosidades sobre o assunto. A última etapa foi a avaliação dos funcionários para verificar o aproveitamento do conteúdo ensinado. Nesta etapa, aplicou-se um questionário composto por questões de múltipla escolha referente ao lixo, coleta seletiva, reciclagem, poluição e riscos à saúde pública.
4. Conclusão:
Verificou-se que a maioria dos funcionários conhecia os benefícios da coleta, seleção e destino adequado do lixo. A questão do lixo na Unidade era muito divulgada, porém muito pouco praticada. O desafio de aderir a Coleta seletiva deve ser aceito por todos, o que não foi constatado (30%). É necessário um trabalho persistente para que as práticas de redução, reutilização e reciclagem de resíduos passem a se tornar um estilo de vida.